Árbitras acusam Paulo Silvio, chefe de arbitragem da FCF, de tentativa de estupro e assédio

Quatro árbitras denunciaram Paulo Silvio dos Santos, presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), por tentativa de estupro e assédio sexual. Uma delas relatou à TV Verdes Mares que ele a colocou em uma cama, tentou agarrá-la mesmo diante de suas recusas e, depois, a seguiu até o banheiro, onde teria colocado a mão por baixo de seu short. “Eu não sabia o que dizer, eu só queria sair daquele local”, desabafou a profissional, cuja identidade foi preservada. As informações são do portal g1.
A árbitra afirmou que ingressou na federação em 2018 e que Paulo Silvio costumava convidá-la para ir à casa dele “tomar vinho”. O episódio mais grave, segundo ela, ocorreu em 2023, após uma confraternização em que um grupo seguiu para um motel com piscina após o fechamento de um restaurante. A profissional relatou que, desde então, passou a evitar os treinos de preparação física da comissão para não encontrá-lo, o que acabou estagnando sua carreira na arbitragem.
Outra denunciante relatou convites insistentes em horários inoportunos, por volta das 23h, e afirmou que foi “escanteada” das escalas de jogos após começar a namorar, o que a levou a abandonar a arbitragem em 2025.
As mulheres procuraram formalmente a diretoria da FCF no último dia 10 de julho, e um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil em 14 de julho. A 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza investiga os crimes contra a dignidade sexual e já solicitou medidas protetivas ao Poder Judiciário.
A FCF abriu uma sindicância administrativa, proibiu qualquer contato do investigado com as denunciantes e testemunhas, e informou que Paulo Silvio foi licenciado do cargo por 30 dias. O diretor jurídico da entidade, Eugênio Vasques, garantiu que ele não retomará as funções enquanto as apurações estiverem em andamento. Em nota, a defesa do dirigente negou veementemente as acusações e afirmou que ele “jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito”.
