As armadilhas para você pagar gorjetas em apps

As gorjetas, antes limitadas a restaurantes, hotéis e serviços bem definidos, agora aparecem em situações inusitadas. Com telas de pagamento e aplicativos, clientes são frequentemente levados a escolher valores pré-programados. Esse modelo se espalhou principalmente após a pandemia, quando o uso de cartões e pagamentos digitais substituiu o dinheiro vivo.
Especialistas apontam que empresas e desenvolvedores de sistemas têm interesse em manter essas opções visíveis, já que cada transação também gera receita para eles. Segundo o professor Ismail Karabas, da Universidade Murray, houve uma explosão de pedidos de gorjeta, ainda que os percentuais médios não tenham aumentado de forma significativa.
A prática de gratificar tem raízes históricas, surgindo na Europa medieval e sendo levada para os Estados Unidos no século 19, de onde se espalhou pelo mundo. Hoje, motivações variam entre ajudar trabalhadores mal pagos, buscar aprovação social, recompensar bom serviço ou simplesmente ceder a pressões tecnológicas e sociais.
Pesquisas recentes mostram que a maioria dos clientes na Europa deixa entre 5% e 10%, enquanto nos EUA a cultura é mais forte, com gorjetas de 15% ou mais até em serviços mal avaliados. Diante dessa nova realidade, especialistas recomendam conhecer a legislação local sobre salários e, quando possível, recorrer ao pagamento em dinheiro para evitar constrangimentos digitais.
