As cidades mais igualitárias do Brasil
Entre os 4,3 mil moradores de São José do Hortêncio, no Rio Grande do Sul, não será possível encontrar nenhum bilionário ou multimilionário como aqueles que existem, em certa quantidade, em São Paulo. Mas tampouco será fácil encontrar uma pessoa que não saiba ler e escrever: a taxa de analfabetismo, pouco maior que 1%, está entre as menores do Brasil. E praticamente todos os cidadãos, com mais ou menos renda, estudam em escola pública até o ensino médio – trata-se da única opção disponível.
Este cenário de pouca desigualdade garantiu à pacata cidade, junto com a também diminuta Botuverá, em Santa Catarina, o título de mais igualitária do país.
Em ambas, o índice de Gini, o mais famoso indicador para medir distribuição de renda, é de 0,28, segundo o Atlas 2013 da ONU, que usa dados obtidos pelo Censo 2010, do IBGE.
O Gini da Noruega é de 0,25, de acordo com a OCDE.
O índice varia de 0 a 1. Só alcançaria zero se todo mundo em um local pesquisado tivesse exatamente a mesma renda. E exatamente um, apenas se uma pessoa concentrasse todo o dinheiro.
Na prática, portanto, o índice nunca encosta nesses extremos, só que quanto mais perto de zero, melhor.
Com Gini em cerca de 0,50 hoje, o Brasil é notadamente uma das nações mais desiguais do planeta. Vivemos aqui o que o economista Edmar Bacha chamou há mais de 30 anos de “Belíndia”: uma parte da sociedade vive como se estivesse na Bélgica, a outra leva seus dias igual à população pobre da Índia.
A lista das cidades menos desiguais é dominada por municípios do Sul e alguns poucos exemplares do Sudeste.
“As cidades do Sul são menos desiguais em parte porque a desigualdade educacional costuma ser menor. São populações mais homogêneas”, afirma Rafael Osório, técnico do Ipea especialista em estudos de distribuição de renda.
A desigualdade de renda é tida como um elemento que atrapalha a coesão social, impedindo que indivíduos – sejam mais ricos ou mais pobres – sintam-se parte da mesma sociedade.
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