Ascensão “eurocética” nas eleições do Parlamento Europeu é terremoto político, diz premiê francês
Os partidos nacionalistas e eurocéticos (contrários à integração europeia) se confirmaram como grandes vitoriosos das eleições para o Parlamento Europeu (PE) ao conquistar mais de cem dos 751 assentos da casa, uma ascensão histórica frente aos 53 da legislatura anterior.
A votação, realizada entre 21 e 25 de maio nos 28 países da União Europeia (UE), com uma taxa de abstenção de 57%, define o único órgão do bloco eleito diretamente para representar seus mais de 500 milhões de cidadãos.
A maior surpresa foi registrada na França, onde o partido de extrema-direita Front National (FN) conseguiu 25% dos votos e terá direito a pelo menos 23 dos 74 assentos designados à França na Eurocâmara, comparado com três na última legislação.
O governo socialista francês convocou uma reunião de urgência nesta segunda-feira para analisar um resultado que qualificou de “terremoto político”.
“Este é um momento muito sério e grave para a França e para a Europa. Estamos em uma crise de confiança, uma ira que repercute também na adesão ao projeto europeu”, disse o primeiro ministro da França, Manuel Valls, em um discurso na rede de televisão pública.
“As pessoas falaram alto e claro”, comemorou uma triunfante Marine Le Pen, presidente da FN.
“Elas não querem mais ser lideradas por aqueles que estão fora das nossas fronteiras, por comissários e tecnocratas da União Europeia que não são eleitos. Elas querem ser protegidas contra a globalização e retomar as rédeas do seu destino”, acrescentou.
Os anti-UE também ficaram em primeiro lugar no Reino Unido, onde o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) somou 27,5% dos votos; na Grécia, com o partido de esquerda radical Syriza reunindo 26,7% dos votos; e na Dinamarca, onde o ultra-nacionalista Partido Popular Dinamarquês obteve 23%, quase dez pontos porcentuais a mais que em 2009.
Além disso, muitos países enviarão pela primeira vez deputados eurocéticos a Bruxelas.
É o caso da Alemanha, país com o maior número de representantes no PE (96), que elegeu este ano seis deputados do partido Alternativa para Alemanha (AFD), criado em 2013 com um discurso contra o euro, além de um deputado do partido de extrema-direita NPD.
SAIBA MAIS
