“Até de madrugada”: a rotina exaustiva de ex-funcionário do Itaú em home office

“Trabalhei sete dias seguidos e até de madrugada”, contou Marcos (nome fictício), demitido do Itaú sob a justificativa de baixa produtividade no home office. Após quase dez anos de carreira, com promoções e prêmios de desempenho, ele foi desligado e relatou que nunca ficou claro como o banco monitorava sua rotina. Segundo ele, houve falta de transparência: “Não tivemos feedback, não foi nada conversado. Rodou um facão e quem estava com a perna embaixo foi cortado”.
O Itaú confirmou os desligamentos e informou que eles ocorreram após uma revisão criteriosa das condutas no trabalho remoto. O banco declarou que identificou “padrões incompatíveis com os princípios de confiança” e que o monitoramento de produtividade é feito por métricas digitais, como uso de mouse, teclado, participação em reuniões e envio de mensagens, mas sem capturar telas, áudios ou vídeos. O sindicato dos bancários questiona a prática, classificando o número de cortes como desproporcional e injustificável.
Marcos afirma que trabalhava em tempo integral e que chegou a abrir mão de pausas para cumprir prazos. “Várias vezes almocei na frente do computador porque não podia parar naquele momento”, disse. Ele reforça que não pensa em acionar a Justiça, mas já busca recolocação profissional, apesar de acreditar que a demissão pode afetar sua imagem no mercado. “Sou jovem e acho que isso não vale a pena”, afirmou.
