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Atropelada, filha de diplomatas viveu guerra no Líbano antes de voltar ao Brasil

Mariana Tanaka Abdul Hak sorrindo e mostrando celular e taça
A jovem Mariana Tanaka Abdul Hak – Reprodução

Mariana Tanaka Abdul Hak, de 20 anos, atropelada por uma van em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, viveu de perto a guerra no Líbano antes de voltar ao Brasil para realizar o sonho de construir carreira na indústria de cosméticos. A jovem morreu no domingo (17), um dia após o acidente. Ela havia desembarcado na capital fluminense no mesmo dia em que foi atingida.

Filha dos diplomatas Ibrahim Abdul Hak Neto, assessor especial do presidente Lula (PT), e Ana Patrícia Neves Abdul Hak, cônsul-adjunta do Brasil em Buenos Aires, Mariana morou em diferentes países desde a infância. Nascida em Londres, passou pela Venezuela, por Brasília, pela Bélgica e pelo Líbano, onde cursou o último ano do equivalente ao ensino médio em meio a ataques. “Nós vimos a guerra”, contou o pai, ao relatar que a família chegou a se abrigar em bunkers durante bombardeios e aprendeu a identificar o barulho de drones e jatos.

No Líbano, Mariana estudava em uma escola internacional a cerca de 50 minutos de Beirute e atravessava uma região de montanha para assistir às aulas. Em alguns dias, não conseguia voltar para casa por causa dos ataques. Depois, cursou administração na ESCP Business School, com aulas em Paris, Londres e Turim. Mariana falava cinco idiomas e havia voltado ao Brasil no mês passado para trabalhar na L’Oréal. “É isso, é nesse mundo que eu quero entrar”, disse ao pai, dias antes do acidente, ao comentar o desejo de atuar na área de cosméticos.