Auditoria independente mostra elo entre Planalto e Caixa como existia na época de Cunha e Geddel

Do G1
Investigação independente conduzida por um escritório de advocacia encontrou indícios de que um dos vice-presidentes da Caixa, Roberto Derziê Sant’Anna, teria fornecido informações sobre operações em trâmite do banco ao presidente Michel Temer e ao ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco ou atendido a pedidos dos dois.
A apuração interna foi conduzida pelo escritório Pinheiro Neto, e foi remetido ao Comitê Independente da Caixa. O documento também foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF).
Nesta terça, o presidente Michel Temer determinou o afastamento de quatro dos 12 vice-presidentes da Caixa. Os afastados são investigados pelo MPF e pela Polícia Federal.
As informações contidas na investigação independente foram algumas das utilizadas para embasar o pedido de afastamento dos vice-presidentes da Caixa enviado pelo Banco Central à Secretaria do Tesouro Nacional e também de pedido semelhante enviado pelo MPF ao governo.
Sant’Anna é um dos quatro vices afastados temporariamente por Temer nesta terça-feira (16).
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“[Roberto Derziê Sant’Anna] afirmou que nunca presenciou a realização de irregularidades por Geddel Vieira Lima, por Moreira Franco ou por Fábio Cleto. Contudo, foram encontrados documentos que podem indicar, pelo menos, o atendimento de pedidos ou o fornecimento de informações de operações em trâmite na CEF, por parte de Roberto Derziê de Sant’Anna, a Moreira Franco e a Michel Temer”, diz o relatório da investigação.
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Em outro trecho do documento, há o relato do ex-servidor da Caixa Giovanni Alves, que disse que Derziê pediu informações sobre operações do banco para repassar a Moreira Franco.
“A Investigação Independente pôde atestar que a relação próxima entre membros da alta administração da CEF e os grupos políticos que lhes dão sustentação acarreta grave risco à CEF”, diz o relatório.
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Em outro trecho, Derziê Sant’Anna afirma que, apesar de não considerar o seu cargo como um cargo político ou do PMDB, ele conhece, além de Moreira Franco e de Michel Temer, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil).
Ainda segundo o vice da Caixa, desde a época em que era vice-presidente da República, Temer “percebeu sua utilidade em termos de gestão dos repasses nas emendas parlamentares”.
“Segundo Roberto Derziê Sant’Anna, ele tem uma relação política personalizada, não partidária”, diz o relatório.
