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A tradição de 250 anos no RS em que homens usam vestidos

Integrantes do Baile de Masquê com máscaras, vestidos coloridos e chapéus
Integrantes do Baile de Masquê usam máscaras, vestidos coloridos, chapéus e luvas durante apresentação. Foto: Reprodução

Uma porta de ferro ao lado da Paróquia Santa Teresinha, às margens da RS-030, abre passagem para 18 mascarados que dançam em duplas em Santo Antônio da Patrulha, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Com roupas coloridas, chapéus, luvas, máscaras, vestidos e perucas, os homens mantêm vivo o Baile de Masquê, tradição de quase 250 anos reconhecida como patrimônio cultural do município no fim de 2023. Com informações de Zero Hora.

A apresentação reúne ritmos como bandinha, rancheira e pezinho. Personagens chamados Bastoneiro e Barba de Pau comandam as trocas de música e interagem com o público, enquanto os mascarados interpretam figuras masculinas e femininas. Ao final, o grupo se despede com lenços brancos e retorna pela mesma porta. Além da participação tradicional na Fenacan, o baile passou a integrar festas católicas, escolas e outros eventos da cidade.

O primeiro registro conhecido da manifestação data de 1778, durante uma visita religiosa que mencionou mascarados em festejos do Divino Espírito Santo. O historiador Luciano Gomes Peixoto relaciona a prática às influências portuguesa e espanhola trazidas pela colonização açoriana no século 18. A tradição permaneceu exclusivamente masculina no estado e hoje reúne diferentes gerações: Antônio da Silva Rocha Filho, de 82 anos, dançou por 65 anos e vê o neto Antônio Rocha, de 20, seguir os passos da família.