Como é o bairro “brasileiro” nos EUA que respira Copa sob cerco de Trump

As bandeiras do Brasil, de Portugal e de países latino-americanos tomaram vitrines, janelas e calçadas da Ferry Street, principal via do Ironbound, em Newark, Nova Jersey, durante a Copa do Mundo. O bairro, conhecido pela forte presença de imigrantes e brasileiros, viu bares e restaurantes voltarem a lotar com os jogos. “Em todas as Copas que eu estou aqui, em todos esses 38 anos, essa superou todas”, disse José Moreira, dono de cinco restaurantes na região. “Para o meu negócio, está maravilhoso.” Com informações de bbc.com.
O clima festivo contrasta com a pressão migratória no bairro. Dois em cada três moradores do Ironbound nasceram fora dos Estados Unidos, e estimativas do setor imobiliário apontam que 26% da população local tem ascendência brasileira; quase metade fala português em casa. Em agosto de 2025, o Departamento de Justiça dos EUA incluiu Newark na lista de jurisdições-santuário consideradas alvo prioritário de fiscalização. Meses antes, em 23 de janeiro, agentes do ICE fizeram uma operação no Ocean Seafood Depot, dentro do Ironbound, e levaram três funcionários sob custódia.
Moradores e comerciantes relatam que o medo reduziu a circulação nas ruas, mas a Copa funcionou como respiro. Kalani Mubarak, do restaurante Boi na Brasa, estima que entre 1,5 mil e 2 mil pessoas passem pelo local a cada jogo do Brasil, entre clientes no salão e torcedores na área externa. A sensação de alívio, porém, não elimina a tensão: o New York Times revelou em 1º de julho de 2026 que agentes federais de imigração detiveram mais de 10 mil pessoas em cinco dias, enquanto a população sob custódia do ICE ultrapassou 63 mil.
