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Banco quer apreender carro em que motorista morreu após ser atingido por Porsche

Sandero que pertencia a Ornaldo da Silva Viana – Foto: Reprodução

A família de Ornaldo da Silva Viana, motorista de aplicativo morto em março de 2023 após ter seu Renault Sandero atingido por um Porsche Carrera a 136 km/h, enfrenta cobranças judiciais pela dívida do veículo. Comprado por R$ 37 mil, com entrada de R$ 6,1 mil e saldo em 48 parcelas, o financiamento restava com 18 prestações quando o pagamento foi interrompido. A financiadora Aymoré passou a ligar insistentemente para a viúva, Francilene Morais, e para os filhos do motorista. “Eles ligam mais de dez vezes ao dia, mesmo sabendo que ele morreu de forma trágica”, relatou ao colunista Ullisses Campbell, do Globo.

Segundo o advogado da família, Jair Sotero da Silva, o Sandero não tinha seguro, apesar de estar alienado ao banco, o que considera uma falha grave. Ele afirma que a cobrança não deveria ser direcionada à viúva ou aos filhos, mas ao inventário, habilitando a instituição como credora. Nos autos, a defesa da Aymoré sustenta que a inadimplência foi configurada em abril de 2024 e que, conforme entendimento do STJ, basta notificação extrajudicial para comprovar a mora. A ação pede a apreensão imediata do carro, com autorização para arrombamento e reforço policial, se necessário.

O veículo, todo amassado, permanece em um estacionamento, e a família pede sua retirada para evitar lembranças dolorosas. Enquanto isso, Fernando Sastre de Andrade Filho, condutor do Porsche, está preso desde maio de 2024 na Penitenciária de Tremembé, aguardando julgamento por homicídio qualificado e lesão corporal grave contra o amigo que estava no carro. Ele nega ter ingerido álcool antes da batida.