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Bandas de rock desconhecidas receberam R$ 2,3 milhões da Prefeitura de SP

Público em apresentação de banda de rock em evento municipal de São Paulo
Público em apresentação de banda de rock em evento municipal de São Paulo. Foto: Reprodução

A banda MotorRockBr, criada no fim de 2024 por cinco músicos, recebeu R$ 828 mil da Prefeitura de São Paulo por 30 apresentações, sempre contratada como “artistas consagrados”. O grupo não lançou músicas e tinha 333 seguidores nas redes sociais, mas cobrou cachê de R$ 30 mil por show, valor mais de quatro vezes acima da tabela de referência da Secretaria Municipal de Cultura para uma banda com cinco integrantes.

O caso integra um conjunto maior de contratações. Quatro bandas de rock ligadas ao produtor Fabrício Raveli receberam ao menos R$ 2,3 milhões em 73 contratos nos últimos 15 meses. Os grupos surgiram entre 2023 e 2024, tocam covers, não aparecem em contratações de outros entes públicos e se apresentam principalmente em eventos organizados por Raveli, com estrutura bancária da São Paulo Turismo. A prefeitura diz que afastou Rodrigo Raveli, irmão do produtor e funcionário da SPTuris, após a divulgação das denúncias.

Para justificar os cachês e a contratação como artistas consagrados, as bandas apresentaram notas de shows anteriores em eventos privados, inclusive de empresas ligadas ao dono da agência que as representa. A partir de denúncia da vereadora Luana Santos (PSol), o Tribunal de Contas do Município abriu inquérito e a auditoria apontou fragilidades na comprovação de notoriedade. Em dois casos, as justificativas eram “material de divulgação preparado pelo próprio contratado”, sem análise legal, além de falta de evidências de divulgação prévia e de comprovação da realização de apresentações nos processos de pagamento.

A Secretaria Municipal de Cultura afirmou que “não há qualquer influência externa na escolha dos artistas contratados” e que as decisões seguem critérios técnicos, legais e administrativos. A gestão Ricardo Nunes também disse que os processos incluem documentação sobre consagração artística e compatibilidade de valores. O TCM informou que o processo segue em tramitação, com contraditório e ampla defesa, e que as respostas da prefeitura ainda serão analisadas pela auditoria antes de eventual apreciação pelo plenário.