Bandas de “rock cristão” rejeitam o título de “gospel”; entenda

Bandas de rock de diferentes regiões do país se articulam em torno da fé cristã, mas rejeitam o rótulo de gospel e a lógica do mercado tradicional do segmento. Parte dessa rede se organiza no selo independente Se Vira Music, que reúne 12 grupos do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, além de cerca de 100 músicos, produtores culturais e artistas.
Para Sérgio Verine, teólogo, músico da banda Judeu Marginal e fundador do selo, o termo gospel carrega estereótipos dos quais os artistas querem se afastar. “O rótulo de ‘gospel’ está ligado a estereótipos aos quais não queremos nos associar. Apesar de sermos todos cristãos, e alguns de nós até pastores, tememos um Brasil evangélico”, afirmou. Os grupos também criticam o “evangeliquês”, linguagem voltada sobretudo à evangelização, e o alinhamento político conservador presente em parte desse mercado.
A AHPE, banda de hardcore de Caxias do Sul (RS), circula entre igrejas, casas de shows, bares e cervejarias e relata resistência nesses espaços. “Eles dizem que somos ‘rebeldes demais’ para tocar nas igrejas e ‘da igreja demais’ para tocar em casas de hardcore”, disse o vocalista Alex André Santin. As letras abordam Deus, espiritualidade, depressão e crises existenciais sem intenção de converter o público. A Conexão Vibration, de Natal (RN), também toca em igrejas, Marchas para Jesus, bares e campeonatos de skate e surfe. “Nós fazemos música que constrói pontes”, afirmou Juninho, vocalista do grupo.
