Entenda a disputa por espaço nas ciclovias envolvendo bicicletas elétricas

O aumento de bicicletas elétricas, patinetes, monociclos e outros equipamentos autopropelidos ampliou a disputa por espaço nas ciclovias e ruas de São Paulo. A região metropolitana tem mais de 470 mil ciclistas circulando diariamente, enquanto o número de bicicletas elétricas no Brasil saltou de 7.600 em 2016 para 284 mil em 2024, segundo a Aliança Bike. A entidade estima ainda cerca de 850 mil equipamentos autopropelidos no país.
A Prefeitura de São Paulo abriu em maio uma consulta pública para regulamentar a circulação desses veículos. O processo terminou em 8 de junho com mais de 270 contribuições e discutiu limites de velocidade, áreas permitidas e regras de convivência. Pela proposta, bicicletas, bicicletas elétricas e autopropelidos teriam limite de 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas; em espaços compartilhados com pedestres, a velocidade cairia para 6 km/h. Autopropelidos ficariam restritos a ciclovias, ciclofaixas na pista, ciclorrotas e vias com limite de até 40 km/h.
O debate opõe usuários que veem risco na presença de veículos mais pesados e velozes nas ciclovias e entregadores que dependem deles para trabalhar. “É meu instrumento de trabalho”, disse o entregador Valter de Jesus, que usa uma e-bike chinesa e costuma trafegar entre 20 km/h e 30 km/h. A vereadora Renata Falzoni (PSB) criticou a dificuldade de fiscalização e afirmou que a CET não tem efetivo suficiente para acompanhar as regras. A Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito disse que técnicos da pasta e da CET vão analisar as contribuições antes da regulamentação definitiva, sem informar prazo.
