Bilionário romantiza exaustão, diz que sucesso vem de acordar cedo e culpa “preguiça” pelo fracasso

Em meio ao discurso da meritocracia extrema, bilionários e executivos têm romantizado a exaustão como se ela fosse um pré-requisito inevitável do sucesso. Um dos exemplos mais recentes é o do magnata imobiliário Ryan Serhant, estrela da Netflix, que afirma acordar às 4h30 da manhã e trabalhar até as 23h, defendendo que a maioria das pessoas não realiza seus sonhos por “preguiça”. A lógica ecoa declarações de executivos como Jensen Huang, CEO da Nvidia, conhecido por trabalhar inclusive em feriados.
Serhant diz tratar o tempo como dinheiro e admite não buscar qualquer equilíbrio entre vida pessoal e profissional. “Eu definitivamente tenho um problema, eu vivo para trabalhar”, afirmou. Para ele, o debate sobre equilíbrio é ilusório e muitos trabalhadores “mentem para si mesmos” sobre o que realmente querem. “Acho que a pessoa mais fácil de enganar é aquela que está no espelho”, disse, ao argumentar que parte das pessoas não deseja alcançar grandes objetivos, mas sim “fazer nada” ou “ganhar na loteria”.
A metodologia defendida pelo empresário transforma cada minuto do dia em um ativo financeiro: 1 minuto equivale a US$ 1, somando US$ 1.440 por dia. Após descontar sono e refeições, ele aplica a chamada “regra dos 1 mil minutos”, modelo que afirma ser estudado por alunos da Harvard Business School. Em 2026, Serhant pretende transformar sua empresa em uma corretora focada em inteligência artificial e ampliar sua atuação nos Estados Unidos.
