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Blocão perde força, mas rebeldia ainda pode render problemas ao governo

A rebelião que culminou com a formação do “blocão” e impôs derrotas ao governo na Câmara começa a mostrar seus primeiros sinais de arrefecimento, mas o sentimento de insatisfação generalizada de deputados ainda pode render alguma dor de cabeça ao Palácio do Planalto.

Parte dos integrantes do bloco de rebeldes –caso do PSD, PDT, PP e Pros– já anunciaram que não fazem mais parte do grupo. Originalmente criado por iniciativa do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o grupo reunia oito legendas.

A pauta da Casa trancada, a demora na liberação de emendas parlamentares, as mudanças ministeriais e um tratamento do governo considerado por muitos deputados como “desrespeitoso” figuravam entre os ponto críticos que geraram o clima de insatisfação, que acabou sendo capitaneado informalmente pelo líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha (RJ).

Mas ao notarem disposição do governo em dialogar e para se descolar do rótulo de fisiologismo que acabou por recair sobre o grupo, legendas da base aliada passaram a anunciar publicamente que não integram mais o bloco.

“A primeira reunião (do grupo) foi convocada para discutir a pauta do Legislativo”, disse à Reuters o líder do PDT na Câmara, Vieira da Cunha (RS).

“No momento em que esse grupo foi taxado de blocão, e atribui-se a esse grupo a função de pressionar o governo, o PDT anunciou publicamente que não fazia parte, assim como outros partidos”, explicou. “O PDT não saiu do blocão porque nunca entrou, na verdade.”

No entanto, o pedetista alerta, assim como outras lideranças consultadas pela Reuters, que o clima instável permanece.

Para o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, a “tempestade diminuiu, mas não acabou”. Ainda assim, ele avalia que há possibilidade de acalmar os ânimos, uma vez que o bloco perdeu força e senadores peemedebistas impediram que a crise contaminasse o Senado.

Saiba Mais: Reuters