Apoie o DCM

Bloomberg: mercado dos EUA está apreensivo com Bolsonaro; analista prevê fuga de capitais

 

A revista Bloomberg Businessweek faz análise ampliada de uma possível remodelagem da América Latina, partindo das perspectivas das eleições de 2018 nas duas maiores economias, México e Brasil.

O texto examina o aumento das chances de candidatos como Andrés Manuel López Obrador, ou Amlo, como é conhecido o futuro concorrente presidencial mexicano, e Jair Bolsonaro, no Brasil, nos dois casos com possíveis viradas anti-mercado.

“Você terá muita angústia para os investidores” durante as eleições, diz Daniel Kerner, analista da Eurasia Group. “Você terá em ambos os casos a fuga de capitais, as pressões sobre a moeda e investidores ficando assustados – no caso do México por uma inversão das reformas, e no caso do Brasil, baixo compromisso com as reformas”.

O texto se chama “Essas Eleições Podem Mudar a América Latina”:

As duas maiores economias da América Latina terão eleições presidenciais em 2018. É um cenário que deixa investidores apreensivos – acostumados a décadas de continuidade na política econômica, os pleitos podem fazer com que Brasil e México apresentem guinadas radicais. Depois de 36 anos de domínio de tecnocratas pró-mercado, os Mexicanos poderão apontar um presidente de esquerda que promete enfrentar Donald Trump. No Brasil, onde o Partido dos Trabalhadores teve a presidência por 13 anos até 2016, um eleitorado cansado de escândalos flerta com um ex-capitão do Exército que tem saudades da ditadura militar. 

“Os investidores irão demonstrar grande nervosismo” durante as eleições, diz Daniel Kerner, analista da consultoria de risco Eurasia Group Ltd. “Nos dois casos, haverá fuga de capitais, pressão no câmbio por conta de investidores assustados. Em relação ao México, irá acontecer uma reversão das reformas e, no caso do Brasil, pouco compromisso com reformas.”

O que leva os eleitores a buscar uma mudança? Para começar, nem Enrique Peña Nieto no México nem Michel Temer no Brasil irão disputar reeleição, e suas taxas de rejeição são tão altas que dificilmente conseguiriam apontar um sucessor. As duas administrações enfrentam infindáveis alegações de corrupção e nenhum dos dois presidentes conseguiu fazer a economia crescer o suficiente para satisfazer a classe média.

(…) A tendência de Bolsonaro a comentários polêmios, que fazem com que críticos o chamem de homofóbico, misógeno e racista, parece não afetar seus apoiadores, que o vêem como um Trump brasileiro (sem a fortuna). Seu séquito nas mídias sociais é maior do que o de qualquer outro presidenciável – e há muitos, como a ex-senadora pelo Acre, Marina Silva; o prefeito-empresário de São Paulo, João Doria Jr.; e o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles é um dos favoritos dos investidores, mas até agora negou boatos de que poderia concorrer à presidência.