BNDES avisa não ter dinheiro para atender todos os pedidos da União em 2018
Reportagem de Flavia Lima e Lucas Vettorazzo aponta a atual situação do banco de investimento, que possui um teto de R$ 130 bi para fazer investimentos. Foi publicada na Folha de S.Paulo.
O BNDES tem R$ 130 bilhões para devolver ao governo neste ano. Se tiver que devolver mais do que isso, a capacidade do banco em emprestar ficaria comprometida. A afirmação é do diretor da área Financeira e Internacional da instituição, Carlos Thadeu de Freitas.
A questão é que diferentes entes dentro da União miram os recursos do BNDES.
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Deficitário, o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) quer a devolução de outros R$ 20 bilhões para arcar com o seguro-desemprego e o abono salarial. O PIS/Pasep, que também tem como objetivo financiar o seguro-desemprego e o abono, pode demandar mais R$ 36 bilhões.
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Falar em desembolsos de R$ 90 bilhões para o BNDES parece muito, dada a forte desaceleração dos empréstimos dos últimos anos, mas não é.
Em 2017, o BNDES emprestou cerca de R$ 71 bilhões, segundo dados adiantados pelo banco à Folha –uma queda de 20% sobre 2016.
A média de empréstimos dos últimos dez anos do banco, no entanto, fica ao redor de R$ 136 bilhões.
Ainda que o banco, redesenhado, não volte mais a emprestar nesse ritmo, a expectativa de economistas é de expansão de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2018, o que pode elevar os pedidos de financiamento e deixar o banco sem fôlego para devolver o dinheiro ao Tesouro.
Na percepção de quem acompanha as contas públicas, os sinais do BNDES são preocupantes, principalmente quando colocados em um contexto maior.
Há imbróglio também, por exemplo, na Caixa. O banco foi autorizado a liberar recursos para Estados e municípios ao mesmo tempo em que pede R$ 15 bilhões ao FGTS, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, para continuar emprestando.
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