Bolsonaro diz que maioria LGBT vota nele

Jair Bolsonaro disse ontem, na entrevista a Mariana Godoy, que a maioria LGBT vota nele. De onde tirou esse número é impossível saber, já que não existe pesquisa eleitoral relacionando intenção de voto e orientação sexual — a rigor, nem existe pesquisa confiável que defina a população de acordo com a orientação sexual no Brasil.
Bolsonaro soltou essa pérola porque tem postado em sua rede social depoimentos de LGBTs que se dizem favoráveis a ele e também foi uma forma de fugir do assunto.
Bolsonaro tem criado o discurso de que nunca foi contra os LGBTs. “Fui contra o kit gay”, diz, ao reforçar o que, segundo o ex-ministro Fernando Haddad, é uma mentira.
De acordo com Haddad, ministro da Educação na época, nunca existiu kit gay. Foi uma confusão que, propositalmente ou não, parlamentares evangélicos criaram para atacar o governo na época.
Disse Bolsonaro no programa de ontem: “Meu nome aparece na causa LGBT em 2010, quando estava sendo lançado o kit para crianças assistirem na escola, eram filmes de menina beijando menina, menino acariciando menino. É contra isso que sou contra”, disse.
Não é verdade.
Bolsonaro já demonstrava uma obsessão pelo tema muito antes de 2010. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, ele opôs aos artigos do Plano Nacional de Direitos Humanos que asseguravam direitos a LGBTs, como casamento — nem se falava casamento, era união civil — e adoção.
Bolsonaro dizia que era contra esse “negócio de coluna do meio” e chegou a declarar que preferiria um filho morto a um filho homossexual.
Há muitos exemplos de manifestações homofóbicas, mas, estranhamente, ele não foi devidamente confrontado. E pôde dar sequência à construção do mito de que tem a preferência da comunidade LGBT.
