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Bolsonaro muda de partido com aliados que possuem acusações na Justiça

De Igor Mello no Globo.

Filiado ao PSL na quarta-feira passada, o deputado federal Jair Bolsonaro(RJ), pré-candidato à Presidência, diz ter a receita para mudar o país. Em seu discurso, ele garantiu que basta ter “não só o presidente, mas muitos parlamentares que sejam honestos”. Em sua própria tropa, porém, o capitão da reserva do Exército tem colegas enrolados com a Justiça.

Entre os apoiadores da candidatura presidencial de Bolsonaro, há diversos casos de políticos que são ou foram alvos de processos. Parte das ações acabou prescrevendo por conta da demora na tramitação nos tribunais. O próprio Bolsonaro fez menção indireta a isso durante seu discurso no ato de filiação. Segundo ele, vários de seus aliados “deram suas caneladas, como o Julian Lemos aqui, e são pessoas que somam o nosso exército”.

Presidente do PSL na Paraíba e principal articulador do clã Bolsonaro no Nordeste, Julian foi condenado em primeira instância, em 2011, a um ano de prisão em regime aberto por estelionato. Ele se envolveu no uso de uma certidão falsa pela empresa GAT Segurança e Vigilância — da qual era sócio — na assinatura de um contrato para prestação de serviços à Secretaria de Educação e Cultura da Paraíba, em 2004. A demora no julgamento, porém, fez com que o processo prescrevesse antes da decisão em segunda instância. Julian nega participação no ocorrido, dizendo que era apenas gerente da empresa — vínculo estabelecido, segundo ele, depois que a licitação já havia sido vencida.

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Essa não é a única “canelada” de Julian. O presidente do PSL-PB foi alvo de três acusações de violência doméstica entre 2013 e 2016. Duas delas foram arquivadas depois de sua ex-mulher, Ravena Coura, dizer que havia extrapolado os fatos em suas denúncias. A terceira, movida pela irmã dele, Kamila Lemos, ainda está em curso. Mas Julian afirma que também terá o mesmo fim.

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Outro político ligado a Bolsonaro que escapou da Justiça por conta da demora é o presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE). Articulador da ida do clã Bolsonaro para a legenda, Bivar se envolveu em polêmicas ao longo da carreira política. Ele foi réu por associação criminosa e violação de sigilo telefônico ao lado de outras 15 pessoas investigadas na Operação Vassourinhas, de 2002. Na ocasião, as investigações mostraram que funcionários da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes usavam a estrutura da Polícia Federal para praticar diversos crimes, como ações policiais paralelas e interceptações telefônicas clandestinas. Um aliado de Bivar foi apontado com um dos líderes do esquema. Apenas em 2016 — 14 anos depois dos fatos —, a Justiça considerou prescritos os crimes. Dirigente do Sport Recife, Bivar também confessou ter pago uma comissão a um agente de jogadores para emplacar a convocação do volante Leomar, então atleta do clube, à seleção brasileira, em 2001.

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Secretário-geral do PSL e coordenador da campanha presidencial de Bolsonaro, o deputado paranaense Delegado Francischini é alvo de uma petição no Supremo Tribunal Federal, onde a Procuradoria-Geral da República pede a apuração de uma denúncia sobre uma suposta funcionária fantasma no gabinete dele. Segundo a denúncia, Aline Fernanda Pereira Kfouri — que ocupou o cargo entre 2015 e 2017 — doaria parte de seu salário como caixa 2 para o Solidariedade do Paraná, presidido pelo deputado. Francischini nega as acusações.

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Jair Bolsonaro. Foto: EBC