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Bolsonaro vai aos EUA para “ganhar eleitores de centro direita”

 

Da Folha:

Jair Bolsonaro iniciou a fase internacional de sua campanha à Presidência da República : indicou um emissário para atuar como ponte junto ao mercado financeiro em Wall Street e já prepara uma visita aos Estados Unidos, em outubro. Tais medidas são parte do plano mais amplo de ganhar tração junto aos eleitores de centro-direita que ainda o veem com desconfiança.

O objetivo nos Estados Unidos é moldar as expectativas de grandes investidores internacionais com capacidade de influenciar as eleições no Brasil. Caso Bolsonaro continue aparecendo em segundo lugar nas pesquisas de opinião, o apoio do mercado valerá ouro para levá-lo a um eventual segundo turno.

Esse périplo do deputado nos Estados Unidos demandará ajustes na estratégia de comunicação que, até agora, foi exitosa: a simples radicalização do discurso para ocupar espaço nas mídias tradicionais e nas redes sociais, abrindo caminho para o crescimento acelerado nas pesquisas. Daqui para a frente, entretanto, propostas radicais ou loucas poderão espantar os agentes econômicos sem os quais será difícil chegar ao Palácio do Planalto.

A campanha de Bolsonaro avalia que construir a imagem de um homem cordato na área econômica não será missão impossível.

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O recado político que o deputado repetirá nos Estados Unidos já foi definido. “Os grandes parceiros [de meu governo] serão Estados Unidos, Europa e Israel”. Se perguntado, Bolsonaro denunciará a esquerda brasileira por ter se aproximado do Irã e criticará a abertura da embaixada da Palestina em Brasília. Ele também fustigará o PSDB por ter aprovado a Lei de Migração. Quando fala sobre o assunto, ele repete: “Haitianos, senegaleses, bolivianos e agora sírios… a escória do mundo está chegando ao Brasil”.