Boulos: “O maior erro que alguém de esquerda pode cometer neste momento histórico é embarcar na onda do anti-Lula”
Guilherme Boulos deu entrevista à CartaCapital:
CC: Setores do PSOL têm críticas muito contundentes às gestões petistas, sobretudo no que diz respeito às alianças com partidos conservadores e à política de conciliação de Lula. Em 2018, o ex-presidente será um dos alvos do PSOL?
GB: Não respondo pelo PSOL, mas o maior erro que alguém de esquerda possa cometer em um momento histórico como este é embarcar na onda do antipetismo ou do anti-Lula. Já vimos que deste caldo não sai coisa boa. Achar que o caminho para a construção de um novo projeto de esquerda é a destruição de Lula e do PT é uma ilusão monstruosa. Basta olhar em volta: quem tem crescido com esses ataques é a direita.
O antipetismo visceral de setores da sociedade e da mídia não é só contra o PT, é antiesquerda, antigreve, antiocupação. Isso não quer dizer que Lula e o PT não possam ser criticados por seus erros, é evidente. A tentativa de reeditar em 2018 um caminho de conciliação é também uma ilusão. Mas não se enfrenta isso com antipetismo. Converso muito com dirigentes do PSOL e tenho segurança de que não cometerão este erro.
CC: Diante da pulverização de candidaturas, tanto da esquerda quanto da direita, é possível arriscar algum palpite sobre as eleições?
GB: Se há algum consenso sobre as eleições deste ano é que serão as mais imprevisíveis desde 1989. Ocorrem após a consumação de um golpe e em meio a novas ameaças ao que resta de democracia por aqui. As tentativas de Temer e de Gilmar Mendes de impor um semiparlamentarismo por meio de uma emenda constitucional, em pauta no Supremo Tribunal Federal, expressam isso. As manobras escandalosas do Judiciário para retirar Lula das eleições, após uma condenação sem provas, também. São a continuidade do golpe. Tudo isso torna o cenário ainda muito incerto.

