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Brasil está sob o domínio de ruralistas, evangélicos e pró-armas, diz Le Monde

Do vozes do mundo:

“Representados por 347 deputados dos 513 do Congresso, esses três grupos de pressão constituem, desde as eleições de 2014, uma força inevitável. Segundo seus opositores, eles teriam até mesmo pego a Câmara dos Deputados como refém, impondo leis e emendas com intenções reacionárias”, diz a matéria do Le Monde.

Para o diário, entre os “BBBs”, os ruralistas são os mais poderosos, com 239 deputados no governo. A bancada evangélica conta com 87 representantes e os defensores do porte de armas, 21. “Cada um destes lobbys trabalha em função de seus interesses. Os militantes do agronegócio trabalham para ganhar espaço de cultivo nas reservas naturais protegidas e indígenas; os evangélicos defendem a família tradicional – são contra o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo -; e os pró-armas tentam, desesperadamente, voltar atrás na lei do desarmamento que, em 2003, proibiu o porte de armas aos simples cidadãos”, reitera o diário.

Para Le Monde, esses deputados, eleitos pelo povo, “revelam uma faceta ultraconservadora da sociedade, uma realidade escondida durante muito tempo pela prosperidade econômica e os avanços sociais do início dos anos 2000”. O jornal sublinha que “a crise de 2015, os escândalos de corrupção, o desemprego e o aumento da violência ressuscitaram os velhos demônios”.

Dilma desdenhou poder dos BBBs

Le Monde também afirma que a ex-presidente Dilma Rousseff estava consciente da existência dos BBBs, mas desdenhou o poder do grupo durante seus governos. Já o atual presidente Michel Temer compreendeu rapidamente como lidar com o grupo. Trocando favores com os “BBBs” e cedendo a diversas exigências deles, o chefe de Estado é frequentemente blindado por eles. Graças à influência dos três Bs nas decisões do Congresso, Temer se livrou duas vezes da possibilidade de ser afastado de seu cargo e enfrentar na Justiça um processo por graves denúncias de corrupção, destaca Le Monde.