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Brasil tem quatro ciclones em um mês; entenda se isso é normal

Casas destruídas no Sul após ciclone. Foto: Reprodução

A formação do quarto ciclone extratropical ao longo da costa do Sul e do Sudeste do Brasil em pouco mais de um mês chamou atenção por ocorrer em pleno verão. O sistema começa a se estruturar nesta quarta (4) e deve provocar chuvas acima da média em várias regiões, com destaque para Mato Grosso do Sul, onde os volumes podem chegar a 90 milímetros além do esperado. No Sul e no Sudeste, os acumulados podem atingir 60 milímetros, enquanto no Nordeste o excesso previsto é de cerca de 30 milímetros.

Ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão associados a ventos fortes e chuvas intensas e costumam ser mais frequentes no outono e no inverno. Segundo Guilherme Borges, meteorologista da FieldPRO, isso ocorre porque, nas estações frias, há maior contraste térmico entre regiões tropicais e áreas de influência polar. “Com esse contraste mais acentuado, o jato atmosférico subtropical ganha força, e as frentes frias que acompanham os ciclones extratropicais tornam-se mais frequentes”, explicou ao Globo Rural.

Para Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, a recorrência de alertas no verão chama atenção, mas não foge completamente do histórico. “O pico realmente costuma ser observado entre o fim do outono e o início da primavera, atravessando todo o inverno. Eles também tendem a se formar mais próximos da costa, provocando vendavais e forte agitação marítima”, afirma.

Especialistas avaliam que não há consenso científico de que o número de ciclones extratropicais no verão esteja aumentando por causa da crise climática. Borges aponta que a percepção de maior frequência está ligada à visibilidade dos eventos e aos impactos recentes. “Não chamo a atenção para a quantidade, que está dentro do normal, mas para a posição mais perto da costa”, diz. A tendência, segundo Celso, é de que fevereiro não registre novos ciclones no curto prazo.