O sonho brasileiro no k-pop que virou pressão, medo e salário inexistente

A paranaense Larissa Ayumi tinha 13 anos quando deixou Curitiba sozinha rumo à Coreia do Sul para tentar virar idol de k-pop. Aos 19, estreou no Blackswan, em 2020, e se tornou a primeira brasileira a integrar um grupo do gênero. Em entrevista à Marie Claire, ela relatou que começou a treinar no dia seguinte à chegada, sem dominar coreano ou inglês: “A parte mais difícil era o alongamento. A professora pisava na gente ou sentava nas nossas costas para forçar os movimentos. Os professores gritavam, xingavam. Foi um dos maiores choques”. Com informações de revistamarieclaire.globo.com.
Larissa passou cerca de seis anos como trainee, alternando períodos entre Brasil e Coreia do Sul. Mesmo à distância, enviava vídeos semanais de canto, dança e exercícios técnicos para avaliação da empresa. A cobrança também recaía sobre o corpo: ela afirma que as jovens eram pesadas com frequência e recebiam broncas quando engordavam. “Existe uma pressão enorme para ter o corpo que eles consideram ideal”, disse. Segundo a brasileira, a presença de artistas estrangeiras ainda gerava resistência entre algumas trainees coreanas, e a gestão estimulava competição ao comparar integrantes.
Depois da estreia, a rotina manteve distância da imagem glamourosa associada aos idols. Larissa contou que muitas vezes precisava gravar vídeos sorrindo logo após levar broncas por causa do peso. Ela também afirma que nunca recebeu salário como idol: a empresa alegava descontar das receitas os custos de videoclipes, figurinos, maquiagem e produção. “Eu recebia cerca de 100 dólares por mês, mas era como uma mesada para alimentação. Nunca tive acesso às contas da empresa, mesmo pedindo várias vezes”, declarou.
Larissa entrou em hiato no fim de 2021 e deixou definitivamente o Blackswan em 2022, após conflitos internos e pedidos para sair do grupo. Ela diz que deixou a empresa com medo de represálias e que o contrato só foi rescindido no fim de 2025. Hoje, vive na Coreia do Sul, trabalha como modelo e criadora de conteúdo e diz não querer voltar ao k-pop. “Uma das coisas que ouvi da empresa é que nós éramos produtos. E, para vender um produto, ele precisa ser perfeito”, afirmou.
