Brasileiros e alemães montam grupo para discutir golpe de 64
A distância que separa Brasil e Alemanha ficou menor, ao menos na política. Desde o ano passado, um grupo de brasileiros e alemães vem se reunindo regularmente para refletir sobre as relações entre os dois países durante os 21 anos que sucederam o golpe militar de 1964.
Batizada com o nome “Nunca Mais – Brasilientage”, a associação surgiu na capital alemã e trabalha agora na organização do Brasilientage, uma série de eventos que, desde março, relembram a ditadura no Brasil.
A iniciativa faz parte de um projeto para relembrar os 50 anos do golpe militar de 1964 e tem como principal objetivo analisar os laços bilaterais durante o período.
A socióloga Marijane Lisboa, uma das fundadoras do movimento, ressalta a importância de examinar a postura adotada pela Alemanha em relação ao governo militar no Brasil.
“A RFA (República Federal da Alemanha) deu apoio a essa ditadura, ainda que seu papel não possa ser comparado ao dos Estados Unidos”, diz Marijane, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Ela cita a assinatura de um acordo nuclear entre os dois países como um dos sinais de aproximação durante o regime. “[Ernesto] Geisel foi recebido na Alemanha com honras de Estado, enquanto refugiados como eu enfrentavam muitas dificuldades para ver o seu pedido de refúgio concedido.”
Na Alemanha, a programação é centrada em Berlim, Bielefeld, Bonn, Colônia, Frankfurt, Hamburgo e Leipzig. Já no Brasil, as atividades ocorrerão em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Entre os projetos do Brasilientage estão seminários, debates, ciclos de palestras, exposições de arte e mostras de filmes e documentários.
Para Marijane, esta é uma oportunidade única para refletir sobre o contexto histórico da ditadura. Ela acredita que os brasileiros podem aprender muito com os alemães – principalmente sobre a cultura da memória.
“Os alemães enfrentaram e reconheceram a sua responsabilidade Pelops crimes cometidos durante o nazismo e trataram de adotar medidas para promover uma cultura democrática, de respeito intransigente aos direitos humanos”, diz Marijane.
“Embora o Brasil já seja uma democracia há quase duas décadas, até hoje permanecem impunes os agentes do Estado, militares e civis, que torturaram e mataram tantas pessoas, graças a uma falaciosa interpretação da lei da anistia”, argumenta.
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