Bronca contra assédio e críticas a Bolsonaro marcam pré-Carnaval de SP

Publicado em 16 fevereiro, 2020 11:22 pm
Alessandra Negrini chega a bloco Acadêmicos do Baixo Augusta com a ativista Sonia Guajajara — Foto: Luisa Vaz/Divulgação

DA FOLHA

O primeiro fim de semana oficial do Carnaval de rua de São Paulo foi marcado por mensagens pela paz e contra o assédio sexual, mix de estilos musicais e, como sempre, fantasias irreverentes.

Os foliões levaram para as ruas assuntos da atualidade como o coronavírus e protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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No domingo, a atriz Alessandra Negrini, do bloco Baixo Augusta, aproveitou a festa para protestar. Vestida de índia, fez referência às críticas de Bolsonaro aos indígenas.

Ela estava acompanhada da ativista Sônia Guajajara, que foi candidata a vice-presidente na chapa de
Guilherme Boulos (PSOL).

“Hoje para mim a questão indígena é a central desse país. Ela envolve não somente a preservação da cultura deles como a preservação das nossas matas. A luta indígena é de todos nós e por isso eu tive a ousadia de me vestir assim”, disse à Folha.

A ativista indígena Sônia Guajajara defendeu o visual com adereços indígenas adotado pela atriz.

“Muita gente usa acessórios indígenas como fantasia. Isso a gente não concorda. Mas quando a pessoa usa de uma forma consciente, como um manifesto para amplificar as vozes indígenas então tudo bem, é compreensível”, disse.

Segundo ela, Alessandra Negrini havia combinado o protesto com o grupo de indígenas que participou do bloco.

Do alto do trio do Baixo Augusta, um dos integrantes puxou o coro: “ei, Bolsonaro, vai tomar no c.”. O chamado foi acompanhado pela multidão que lotava a rua da Consolação.

As fantasias também foram usadas como forma de protesto. A comunicadora Nayara Sampaio, 34, misturou peixe e óleo em sua roupa Confraria do Pasmado neste domingo, em referência às manchas nas praias nordestinas.

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Outra crítica ao governo Bolsonaro na área ambiental foi feita por um grupo de amigos paulistanos. Eles se fantasiaram de Amazônia devastada, inclusive com uma Greta Thunberg, a ativista sueca defensora do clima chamada de pirralha pelo presidente.

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