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Cachorro Crente e sex shop gospel miram mercado evangélico bilionário

Produto da marca Cachorro Crente
Produto da marca Cachorro Crente, negócio de fast food cristão no Rio. Foto: Reprodução

Leandro Lima trabalhava com produção de shows quando decidiu buscar um negócio ligado à fé. Em 2019, ao sair de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio, viu uma barraca de cachorro-quente e criou o nome Cachorro Crente. O empreendimento começou com carrocinhas na rua e ganhou em abril a primeira loja, a 50 metros da igreja, com o lema “gostoso e abençoado” e preços a partir de R$ 17.

A marca integra uma onda de negócios que usam referências evangélicas para atrair consumidores cristãos. O movimento inclui a hamburgueria Gospel Burger, a marca Senhorita Moda Modesta, o transporte por aplicativo Com Deus e a Gospel Drinks, que se apresenta como “o primeiro open bar gospel do Brasil”, com drinques sem álcool. A Bem Amada, sex shop de São Paulo, diz atender mulheres cristãs casadas e vende itens como lubrificante e gel excitante, mas deixa de fora produtos que considera incompatíveis com seus princípios para o casamento.

Os evangélicos representavam 26,9% dos brasileiros de dez anos ou mais no Censo 2022, e estimativas do setor apontam que esse público movimenta mais de R$ 20 bilhões por ano. Levantamento do Instituto Locomotiva feito em março indica que 47% dos evangélicos compram mais de fornecedores que compartilham a mesma crença, ante 38% dos católicos. Para Renato Meirelles, presidente do instituto, as novas marcas dão escala e linguagem contemporânea a práticas comerciais que já existiam no entorno das igrejas.