Apoie o DCM

Câmara derruba pedido de Bolsonaro para homenagear golpe de 1964

Às vésperas do aniversário dos 50 anos do golpe militar de 1964, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), vetou, nesta terça-feira, o pedido do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), um dos principais defensores da ditadura, para a realização de uma sessão em comemoração ao regime e seus “feitos”.

A decisão foi tomada depois que líderes puxaram a discussão sobre o tema. A equipe técnica tinha recomendado que a Câmara abrisse espaço tanto para os defensores quanto para os críticos da ditadura militar. A ideia gerou um desgaste entre os líderes e, segundo relatos, o presidente aprovou apenas o requerimento apresentado pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP), apoiada por outros líderes, sugerindo sessão para homenagear “civis e militares que resistiram à ditadura, consagrada à reflexão sobre o significado da luta pela democracia e sobre a herança autoritária, ainda por enfrentar e superar plenamente em nosso país”.

Na prática, Bolsonaro fica excluído como um dos autores da sessão dos 50 anos do golpe. Para deputados, a medida é gesto simbólico. Bolsonaro poderá se manifestar na sessão se for indicado pela liderança de seu partido, o que deve ocorrer.

De acordo com líderes, Alves disse que a medida foi tomada a favor da democracia e que o requerimento de Erundina condiz com a realidade do país. Em 2013, Alves chegou a vetar outro pedido de Bolsonaro para realização de uma exposição fotográfica sobre o período militar.

O pai de Alves foi um dos 173 deputados que tiveram o mandato cassado pelo regime entre 1964 e 1977, ao longo de quatro legislaturas.

Saiba Mais: Valor