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Cambistas revendem ingressos que operários do Maracanã receberam de graça

No universo econômico da Copa do Mundo, existe uma ponta nebulosa que nem a tecnologia nem a burocracia conseguem desbravar — o comércio paralelo de ingressos. No mesmo dia que a Fifa começou a vender a carga de entradas que havia sobrado das etapas on-line, os arredores do Maracanã foram palco de uma farra desse mercado alternativo.

No fim de semana, os 7.284 mil operários que trabalharam pelo menos quatro meses na reforma do estádio puderam retirar os tíquetes a que têm direito nas bilheterias do palco da final do Mundial.

Ali mesmo, diante de policiais militares e dos fiscais que orientavam a retirada, muitos deles venderam seus ingressos para torcedores e cambistas, sem qualquer constrangimento.

O assédio dos cambistas neste domingo foi forte — ingressos para o jogo Espanha x Chile, no dia 18, foram vendidos pelos operários por cerca de R$ 900, enquanto Argentina x Bósnia-Herzegovina, no dia 15, saía a R$ 700, e Equador x França, no dia 25, a R$ 600. Mas é a revenda para torcedores que revela a real dimensão desse mercado.

Depois de comprar de um operário uma entrada para o segundo jogo da seleção espanhola na Copa, no dia 18, um cambista revendeu o bilhete, logo em seguida, a um torcedor estrangeiro por R$ 6.000. A valorização imediata ultrapassou os 660%.

“Se tivesse tirado o ingresso para o jogo da Espanha, eu nem vendia. Mas como fiquei com o da França, vou vender. Até gostaria de ver um jogo de Copa do Mundo, mas quero comprar uma bicicleta para o meu filho no aniversário dele”, explicou um operário paraibano, que não quis se identificar. Ele chegou a oferecer seu ingresso, depois de negociar, por R$ 250.

Segundo os operários, os ingressos foram distribuídos de acordo com a letra inicial dos nomes dos trabalhadores. Aqueles que ficaram com os da Espanha comemoraram a “sorte”:
“Vale mais porque tem muita gente querendo ver os caras do Barcelona”, disse um trabalhador.

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