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Como camelos transformaram o Saara em rota de ouro e riqueza

Ruínas de Sijilmassa no oásis de Tafilalt, no Marrocos
Imagem ilustrativa

A adoção dos camelos por povos berberes transformou as travessias do Saara e impulsionou Sijilmassa, cidade fundada em 757 na fronteira norte do deserto, no atual Marrocos. Os animais, domesticados inicialmente na Arábia e levados ao norte da África, carregavam mais peso que cavalos e burros e resistiam até dez dias sem água.

Caravanas percorriam o deserto no inverno e nos períodos mais frios do dia, em viagens que levavam cerca de 70 dias até o Sahel e os centros comerciais do então chamado Sudão. Sijilmassa organizava o fluxo de ouro que vinha da região e fornecia cobre, latão e sal; sua posição às margens do rio Oued Ziz a colocou na rota entre Tânger e o rio Níger.

A riqueza da cidade atraiu relatos de viajantes e geógrafos árabes, mas a rota do ouro perdeu força e Sijilmassa entrou em declínio no século 15. Escavações recentes encontraram fundações de uma mesquita que comportava 2,6 mil pessoas e um molde de cerâmica usado na produção de discos de ouro para cunhagem, com resíduos do metal nas cavidades.