Campeonato de Cabo Verde tem clubes ‘brasileiros’ e final que só ocorre de barco

Antes da estreia histórica na Copa do Mundo de 2026, com empate por 0 a 0 contra a Espanha, Cabo Verde mantinha um futebol de clubes distante das estruturas milionárias. No arquipélago de dez ilhas, a maioria dos jogadores atua em campeonatos amadores, trabalha durante o dia e veste a camisa do clube nos fins de semana ou após o expediente.
O Campeonato Nacional de Cabo Verde acompanha a geografia do país. Como não há pontes nem estradas entre as ilhas, os deslocamentos dependem de avião ou barco; Santo Antão e Brava sequer têm aeroporto em funcionamento. Por isso, cada ilha disputa primeiro seu regional, entre outubro e março, e os campeões avançam para a etapa nacional, de abril a julho.
Ao todo, 11 campeões regionais se juntam ao atual campeão nacional para formar a disputa com 12 equipes. O regulamento prevê seis rodadas em fase de liga, classificação dos quatro melhores para semifinais em ida e volta e final em jogo único. Em 2026, a decisão está marcada para 4 de julho, no Estádio Municipal João Serra, em Ponta do Sol, na ilha de Santo Antão, acessível por ferry a partir de uma ilha vizinha.
O futebol cabo-verdiano também chama atenção pelos nomes e escudos que atravessaram o Atlântico. Há clubes inspirados em equipes brasileiras, como Botafogo FC, de São Filipe, Sport Clube Corinthians de São Vicente, Cruzeiro da Calheta e Associação Sport Club Figueirense. O atual campeão nacional é o Palmeira, da ilha do Sal, mas o clube não disputa a Liga dos Campeões da CAF por causa dos custos de viagem pelo continente africano.
