Camundongos recebem “cérebro humano” em laboratório; entenda

Cientistas da Universidade Stanford criaram camundongos com cérebros preenchidos por milhões de neurônios humanos para investigar distúrbios cerebrais. O estudo, publicado na revista Nature, alterou geneticamente os animais para que o córtex não se desenvolvesse e inseriu organoides formados por células humanas no espaço restante.
Os organoides se conectaram aos vasos sanguíneos e às estruturas cerebrais dos roedores. As células humanas, que começaram em algumas centenas de milhares, chegaram a 4 milhões de neurônios. Mesmo com essa composição, os animais tiveram desempenho semelhante ao de camundongos comuns em testes de memória e outras tarefas cognitivas, com apenas diferenças sutis de comportamento.
O modelo pode ajudar a estudar condições como autismo, esquizofrenia e danos causados pela falta de oxigênio perto do nascimento. Em um dos testes, a privação de oxigênio lesionou neurônios humanos nos camundongos e provocou dificuldade para andar. A equipe acompanha os efeitos da técnica e consulta especialistas em ética; para a neurocientista Hongkui Zeng, há necessidade de supervisão e regulamentação, sobretudo diante da possibilidade de testes em animais maiores.
