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Câncer contagioso raro se espalha entre peixes em lago

Bagres-cabeça-chata com manchas escuras e lesões na pele
Bagre – Foto: Reprodução/Milos Prelevic/Unsplash

Pesquisadores da Universidade de Vermont identificaram uma forma rara de câncer de pele transmissível entre bagres-cabeça-chata no Lago Memphremagog, na fronteira entre Vermont, nos Estados Unidos, e Quebec, no Canadá. A descoberta, divulgada na quarta-feira (22) na revista Nature, resulta de mais de uma década de investigações iniciadas depois que pescadores passaram a observar manchas escuras e lesões elevadas nos peixes.

As análises genéticas indicaram que tumores encontrados em diferentes animais eram muito parecidos entre si, mas não correspondiam ao DNA dos peixes que carregavam as lesões. A equipe concluiu que as células cancerosas descendem de uma mesma linhagem ancestral e descartou, nos testes realizados, níveis elevados de poluentes, vírus ou bactérias associados ao problema. Mais de um terço dos exemplares examinados apresentava melanoma, um tipo de câncer considerado extremamente incomum nessa espécie.

Os cientistas sugerem que a doença pode ter começado em um único peixe infectado, com células malignas liberadas na água e transmitidas a outros indivíduos. A reprodução dos bagres, que se agrupam em áreas rasas e podem sofrer mordidas e arranhões, pode ter favorecido a entrada dessas células nos animais. Antes desse caso, cânceres transmissíveis já tinham sido registrados em cães, diabos-da-Tasmânia e alguns moluscos, mas o estudo aponta o primeiro registro do tipo em ambiente de água doce.

A equipe agora busca novos casos e pede que pescadores e biólogos enviem imagens de peixes com tumores escuros e informações sobre os locais onde foram encontrados. Os pesquisadores recomendam congelar exemplares suspeitos para eventuais análises. Embora não haja evidências de que os peixes doentes sejam inseguros para consumo, especialistas orientam evitar a ingestão de animais com tumores; também não há indicação de que cânceres transmissíveis circulem entre seres humanos.

Peixes doentes capturados por pesquisadores – Foto: Divulgação/Julie A. Dragon et. al/Nature