“Câncer do 11 de setembro”: a doença que afeta sobreviventes do atentado

Mais de 20 anos após o atentado de 11 de setembro, milhares de pessoas seguem sofrendo com doenças associadas à exposição à nuvem tóxica que tomou conta de Nova York. Segundo o World Trade Center Health Program, divulgado em junho de 2025, já são 48,5 mil diagnósticos de câncer ligados ao episódio, envolvendo tanto sobreviventes civis quanto bombeiros, policiais e voluntários que atuaram no resgate.
O oncologista Stephen Stefani explicou que a combinação de cimento, asbestos, fumaça e combustíveis liberados nos escombros comprometeu os mecanismos de defesa do corpo. “Quando a pessoa é exposta a agentes como asbestos, benzeno, sílica e chumbo, esses mecanismos ficam comprometidos. O resultado é uma reprodução celular desorganizada, com mutações que escapam ao controle”, afirmou.
Entre os diagnósticos, 24,6 mil são de socorristas e trabalhadores da limpeza e 23,9 mil de civis. Os tipos de câncer mais comuns incluem pele não melanoma (15,5 mil casos), próstata (10,9 mil), mama feminina (4 mil) e tireoide (2,1 mil). “Há mais vítimas do 11 de setembro depois do 11 de setembro do que no próprio dia”, apontou Stefani.
Pesquisas reforçam o impacto da exposição: socorristas tiveram 19% mais casos de câncer de próstata, 81% mais de tireoide e 41% mais risco de leucemia em comparação a profissionais que não tiveram contato com a poeira. Além disso, surgiram tumores inesperados, como mesotelioma e cânceres raros de tecidos moles.
