Candidata reclama de cotas e ganha vaga de professor concursado em universidade

O paraibano Allison Ruan, de 31 anos, perdeu a vaga de professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) depois de uma decisão judicial anular sua nomeação. Aprovado por cotas raciais para o Departamento de Engenharia Química, ele chegou a dar aulas durante todo o primeiro semestre de 2026, mas soube da decisão durante o expediente, após a publicação no Diário Oficial.
“Fiquei desnorteado, juntei minhas coisas e fui para casa”, afirmou ao g1. A decisão, de 28 de julho, atendeu ao pedido de Brígida Maria Villar da Gama, candidata da ampla concorrência no mesmo concurso. A ação questionou a destinação da vaga para cotistas.
A UFPE declarou que cumpriu uma determinação do Judiciário e que não tomou administrativamente a decisão de anular a nomeação. Allison recorreu e pediu a suspensão dos efeitos da sentença enquanto o processo segue em discussão.
O caso envolve a forma de calcular as vagas reservadas. Especialistas defendem que as vagas para professor do magistério superior devem ser contadas no conjunto do edital, mesmo quando distribuídas entre departamentos e áreas distintas. O STF já determinou, ao julgar a ADC 41 em 2017, que órgãos públicos não podem fracionar vagas por especialidades para esvaziar a política de cotas. Em 2025, a legislação elevou a reserva em concursos federais para 30% das vagas.
