4 assaltos em 10 dias: canetas emagrecedoras viram alvo e aterrorizam funcionários de farmácias

A busca por canetas emagrecedoras, medicamentos de alto valor usados para perda de peso, ampliou os assaltos a farmácias e deixou trabalhadores sob medo constante, sobretudo no turno da madrugada. Em fevereiro, a farmacêutica Karina Ribeiro, de 38 anos, morreu durante um assalto a uma unidade da Drogaria São Paulo na Zona Norte da capital. Um policial que estava no local reagiu à ação e a atingiu. A Corregedoria da Polícia concluiu que ele agiu em legítima defesa própria e de terceiros.
O atendente Humberto Maciel, de 26 anos, trabalhava com Karina e afirma ter enfrentado 12 assaltos em cerca de um ano e meio numa loja 24 horas. Depois da morte da colega, ele relata crises de ansiedade, sintomas de estresse pós-traumático e perda do interesse em seguir no setor. “Só sei que quero sair desse ambiente”, disse. Humberto entrou na Justiça com pedido de rescisão indireta, alegando falta de segurança no trabalho.
Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam 439 roubos a farmácias no estado de São Paulo no primeiro semestre de 2026, queda de 16% ante o mesmo período de 2025. Apesar da redução oficial, funcionários relatam ataques recorrentes em busca das canetas, cuja unidade de Mounjaro pode custar a partir de R$ 1,4 mil. O Conselho Regional de Farmácia de São Paulo cobra reforço na segurança e alerta para os efeitos da violência sobre a saúde mental dos profissionais.
