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Por que canetas emagrecedoras têm preocupado cassinos, segundo médico

Caneta de medicamento injetável
Caneta de medicamento injetável usada em tratamentos de controle de peso. Foto: Reprodução

Os medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” podem produzir efeitos que vão além da perda de peso e atingir mecanismos relacionados a compulsões, afirmou o médico nutrólogo Paulo Gusmão, em entrevista ao UOL. Para ele, o termo mais adequado seria “canetas metabólicas”, pois essas substâncias atuam em diferentes áreas, com potenciais aplicações em inflamação, apneia do sono e dependência química.

Gusmão disse que medicamentos à base de GLP-1 têm sido associados à redução do consumo de álcool e que clínicas de reabilitação e psiquiatras já indicam tirzepatida como apoio em alguns tratamentos contra dependência. Segundo o médico, a ação sobre vias dopaminérgicas ligadas ao centro de recompensa também despertou a atenção do setor de jogos, diante de um possível efeito sobre comportamentos compulsivos de apostadores.

“Elas também têm esse efeito na modulação dessas vias dopaminérgicas, essas vias que levam ao centro de recompensa. Uma pessoa que entra num cassino e é um jogador compulsivo sente uma euforia, uma liberação de vários neurotransmissores. Já existe um olhar, inclusive, dos cassinos, olhando assim: os cassinos estão preocupados com as canetas”, afirmou.

O nutrólogo alertou, porém, para o uso indiscriminado e para a compra de produtos contrabandeados, cuja composição, pureza e esterilidade não são conhecidas. Ele afirmou que impurezas podem provocar reações imunológicas e comprometer tratamentos futuros. Gusmão também citou a retatrutida como uma nova molécula em estudo, com potencial para estimular o gasto energético e ajudar a manter a perda de peso, além de combinações voltadas à preservação de massa muscular.