A peça em museu do Rio que irrita o Paraguai após mais de um século

Um canhão paraguaio capturado pelo Brasil na Guerra da Tríplice Aliança permanece no centro de uma disputa histórica entre os dois países. O obuseiro Cristiano está exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, desde a criação da instituição, em 1922, e o Paraguai pede há décadas sua devolução.
A peça, com 2,94 metros de comprimento e cerca de 12 toneladas, foi usada na Batalha de Curupaiti, em 1866, uma das principais vitórias paraguaias no conflito. Fundido com bronze de sinos de igrejas, o armamento traz a inscrição “A religião ao Estado” e ganhou valor simbólico por representar tanto o esforço de guerra do país quanto sua derrota posterior.
O tema voltou ao debate após críticas paraguaias a uma fala de Lula sobre a invasão do Brasil por tropas de Francisco Solano López. O governo de Santiago Peña retomou a cobrança pela repatriação do canhão e de outros objetos ligados à guerra. O Brasil não tem obrigação jurídica de devolver o Cristiano, que é tombado pelo Iphan, enquanto no próprio Paraguai há divergências sobre o destino da peça.
