Cânions paulistas revelam um tesouro natural esculpido há milhões de anos

O sudoeste paulista abriga um patrimônio natural formado ao longo de milhões de anos: os Cânions Paulistas, que passam por Bom Sucesso de Itararé, Itaberá, Itapeva, Itararé, Nova Campina, Ribeirão Branco e Taquarivaí. A geóloga Victoria Gomes, de Itapeva, explicou ao g1 que os paredões são compostos por arenitos, rochas originadas do acúmulo de sedimentos em uma antiga bacia sedimentar, com idade estimada entre 410 milhões e 390 milhões de anos. Com informações de g1.
Com o tempo, rios, ventos e intemperismo esculpiram as formações até criar as fendas, cachoeiras e paredões vistos hoje. A área ficou conhecida como Escarpa Devoniana, termo popular que combina uma referência ao relevo com a idade das rochas, e se estende por cerca de 260 quilômetros, de Itapeva até o Paraná. A região também marca a transição entre Cerrado e Mata Atlântica, com altitudes que vão de cerca de 700 metros a 1.300 metros e favorecem diferentes tipos de solo, vegetação e fauna, incluindo lobo-guará, tamanduá e onça.
Além da importância geológica, os cânions guardam vestígios arqueológicos, como pontas de flechas, vasos de cerâmica e pinturas rupestres, alguns preservados na Casa da Cultura de Itapeva. Desde 2022, a Associação Cânions Paulistas desenvolve ações de preservação, restauração de imóveis históricos e valorização da cultura local. A região atrai visitantes para cachoeiras, rios, trilhas e esportes como aquatrek, boia cross e rapel, mas especialistas recomendam o acompanhamento de guias por causa de propriedades particulares, fendas, animais peçonhentos e outros riscos naturais.







