Chicotadas e traumatismo: as lesões em capitã da PM levada morta ao hospital

A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 41 anos, tinha traumatismo craniano e diversas lesões pelo corpo quando o marido a levou morta ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). O Boletim de Ocorrência registra que parte dos ferimentos era compatível com marcas de chicotada. O marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi preso.
Eduardo disse aos policiais que o casal fez uma festa em casa no domingo (19) e que, depois da saída dos convidados, os dois usaram ecstasy e tiveram relação sexual consensual. Ele afirmou que Michele e ele estavam juntos havia oito anos e tinham o costume de praticar espancamentos durante o sexo, o que teria ocorrido naquela ocasião e sido gravado em vídeo.
O sargento também alegou que a esposa caiu da escada e machucou a cabeça, mas teria recusado ir ao hospital para não relatar o uso de drogas. Ele disse que os dois dormiram em seguida e que, ao acordar, encontrou Michele sem resposta. A capitã deu entrada na unidade por volta das 21h35, já sem sinais vitais. A médica responsável apontou quadro de assistolia, compatível com parada cardiorrespiratória ocorrida de quatro a seis horas antes.
No hospital, outro militar flagrou Eduardo descartando em um banheiro uma caixa com comprimidos que aparentavam ser ecstasy, conforme o registro policial. O advogado Gustavo Nepomuceno, que representa o sargento, afirmou que é preciso aguardar a conclusão das investigações e dos laudos periciais. “O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes”, disse a defesa.
