A conta para ter um carregador de carro elétrico em casa

Comprar um carro elétrico sem carregador em casa pode ser viável, mas a decisão exige avaliar a infraestrutura disponível nos trajetos diários, o tempo de recarga e o preço cobrado nos eletropostos. Em maio de 2026, o Brasil tinha 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da Tupi Mobilidade. A rede cresceu 20,7% em três meses, mas permanece concentrada: 11.079 pontos estavam no Sudeste, enquanto o Norte tinha 859.
Para quem depende da rede pública, o professor Bruno Lima, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, recomenda considerar “carregador disponível, autonomia real e velocidade de carga”. Um ponto confiável no trabalho, em supermercados ou em outros locais frequentados regularmente pode tornar a rotina mais simples. A autonomia homologada também não garante o mesmo alcance em todas as situações, pois uso de ar-condicionado, trânsito, velocidade e condições climáticas alteram o consumo da bateria.
O custo da energia é outro fator relevante. Em uma simulação com tarifas de São Paulo, carregar os 44,9 kWh da bateria de um BYD Dolphin custaria cerca de R$ 35 em casa, ante aproximadamente R$ 94 em estações públicas pagas.
Uma wallbox residencial pode custar de R$ 3.500 a R$ 9 mil, além de exigir instalação elétrica adequada. Híbridos plug-in reduzem a dependência dos eletropostos por manterem motor a combustão, mas carros totalmente elétricos exigem planejamento maior quando os carregadores públicos ficam distantes, caros ou indisponíveis.
