Por que carros elétricos podem causar mais enjoo em passageiros

Carros elétricos podem provocar ou intensificar o enjoo em parte dos passageiros, mas o efeito não é exclusivo desse tipo de veículo. A explicação envolve a forma como o cérebro processa os sinais do movimento e a aceleração mais imediata que alguns motores elétricos entregam. O tema reúne conteúdos de física e biologia que podem aparecer no Vestibular Unicamp 2027, cuja primeira fase está marcada para 18 de outubro.
O professor de física Rodrigo Araújo explica que o torque instantâneo do motor elétrico permite mudanças rápidas de velocidade. Pela Lei da Inércia, o corpo tende a manter seu estado de movimento, o que torna acelerações e frenagens bruscas mais propensas a causar desconforto. O assunto também permite abordar o Movimento Uniformemente Variado e a frenagem regenerativa, que transforma energia cinética em eletricidade para recarregar a bateria.
Na biologia, náusea, tontura, suor frio e vontade de vomitar caracterizam a cinetose, ou enjoo de movimento. O sistema vestibular registra acelerações e trabalha com informações enviadas pela visão, músculos e articulações. A otorrinolaringologista Raquel Mezzalira afirma que o mal-estar surge mais facilmente quando esses sinais não coincidem; em veículos elétricos, o baixo ruído e a menor vibração podem alterar as pistas sensoriais percebidas por pessoas mais suscetíveis.
