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Elétricos chineses vão ficar mais caros? Imposto de 35% começa a valer no Brasil

Carros em pátio de concessionária
Carros em porto. Foto: Reprodução

A partir desta quarta-feira (1º), montadoras e importadoras passam a recolher a alíquota cheia de 35% do Imposto de Importação sobre veículos eletrificados que chegam ao Brasil já montados e também sobre modelos semidesmontados, os chamados SKD. A mudança atinge a importação, não a etiqueta final ao consumidor, e o repasse aos preços depende de câmbio, margem, estoque, logística, estratégia comercial, financiamento e posicionamento de cada marca.

O governo separou os regimes de importação. O carro CBU, que chega completamente montado, não terá cota de isenção e passa a enfrentar a alíquota cheia. Já os veículos CKD e SKD, desmontados ou semidesmontados para montagem local, entram em uma nova cota de importação com imposto zero, no valor total de US$ 463 milhões, cerca de R$ 2,4 bilhões, válida por seis meses. Acima da cota, o SKD recolhe 35%; o CKD segue em 14% até o fim de 2026 e chega a 35% em janeiro de 2027.

O efeito para o consumidor deve variar conforme o modelo e a estratégia das empresas. Veículos que já estavam em estoque antes da mudança podem manter preços mais competitivos por algum tempo, enquanto marcas com margens maiores podem absorver parte do impacto. O consultor Cássio Pagliarini, CMO da Bright Consulting, afirma que o imposto completo pode significar até 8% de ajuste para veículos BEV importados completos. Segundo dados divulgados pela ABVE, os eletrificados chegaram a 51,6 mil unidades em maio, quase 20% dos veículos leves vendidos no país.

As marcas chinesas, como BYD, GWM, LeapMotor, MG, Omoda & Jaecoo e Geely, entram na nova fase pressionadas a ampliar montagem local e planos de nacionalização. O presidente da Abeifa disse à CNN Brasil que não acredita em alteração dos planos da indústria: “Essa regra já estava estipulada e as importadoras tiveram tempo de se adaptar e montar a estratégia (repasse de preço, absorção dos impactos, etc).” A entidade informou que, em maio, eletrificados representaram 96,1% das vendas das associadas e 44,3% dos eletrificados vendidos no Brasil.