Casal de pastores começou abusos no aniversário de 12 anos da vítima, diz relato

A Polícia Civil de Roraima indiciou Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, por crimes sexuais contra seis adolescentes que frequentavam a igreja onde o casal atuava como pastor evangélico. Uma das vítimas relatou que sofreu a primeira violência no dia em que completou 12 anos, em 2024, após Wenderson ir até sua casa, entregar chocolates e convidá-la para sair.
Segundo o relato da adolescente aos investigadores, o pastor desviou o trajeto para uma rua isolada e propôs uma “brincadeira” que envolvia adivinhar e mostrar a cor da peça íntima. A vítima afirmou que obedeceu por medo e que, depois daquele episódio, sofreu novas violências. Outra adolescente contou que, aos 17 anos, recebeu uma carona de Wenderson, recusou participar da mesma dinâmica e viu o suspeito reagir com irritação, tirar sua blusa, se tocar e exibir vídeos em que aparecia mantendo relações sexuais com Arielly. Depois, ele teria feito uma transferência via Pix para a vítima.
A investigação aponta que o casal usava a liderança religiosa para conquistar a confiança das adolescentes e de suas famílias, além de recorrer a argumentos religiosos, dinheiro, Pix e outras vantagens para tentar evitar denúncias. A delegada Kamilla Basto, responsável pelo inquérito, afirmou que a autoridade exercida pelos investigados dificultou a revelação dos fatos. A polícia também identificou documentos da instituição religiosa que previam punições a integrantes que promovessem “rebeldia” ou “dissidência” contra a autoridade da igreja.
Wenderson Lima foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly Kamyla responderá, em tese, por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. Uma mulher de 20 anos também foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores, sob suspeita de influenciar duas adolescentes a destruir um celular que continha provas dos supostos crimes.
