Casal economiza com marmita por 10 anos e se aposenta aos 35 e 40; saiba como

Alan e Katie Donegan, moradores do sul da Inglaterra, conseguiram se aposentar quando ele tinha 40 anos e ela, 35, após anos de economia extrema e investimentos. O casal evitava ligar o aquecimento no inverno, usava bolsas de água quente, raramente pedia comida por entrega e levava almoço de casa para o trabalho. “Economizamos 40 mil libras [R$ 274 mil] em 10 anos, graças a este hábito simples de levar as refeições para o trabalho”, disse Alan.
Antes de parar de trabalhar, Alan havia atuado como paisagista e depois abriu um negócio de treinamento e coaching pessoal. Katie trabalhava como avaliadora de riscos em uma empresa financeira. Em 2014, ele ganhava o equivalente a cerca de 63 mil libras por ano, e ela, 58 mil libras. Com a renda alta e gastos reduzidos ao mínimo, os dois aplicavam todo o dinheiro possível até atingir 1 milhão de libras, cerca de R$ 6,9 milhões. “Cada libra que investíamos nos aproximava um pouco mais da vida que desejávamos”, afirmou Katie.
O casal faz parte do movimento Fire, sigla em inglês para “Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada”, que defende viver com austeridade durante a vida profissional para parar de trabalhar mais cedo. O conceito ganhou força nos últimos anos e o principal fórum sobre o tema no Reddit reúne quase um milhão de membros. A estratégia, porém, segue distante da realidade da maioria: no Reino Unido, a idade média de aposentadoria chegou a 65,8 anos para homens e 64,7 para mulheres no ano passado; no Brasil, a média de concessão foi de 57 anos para homens e 56 para mulheres em 2024, embora a reforma da Previdência tenha fixado idade mínima de 65 e 62 anos.
Especialistas em finanças pessoais apontam que a filosofia Fire pode ajudar quem começa a poupar cedo e aumenta aportes após reajustes de salário, mas alertam que a frugalidade extrema não serve para todos. Carol Schleif, estrategista-chefe de mercado da BMO Private Wealth, afirma que a aposentadoria precoce pode cobrar um preço alto se a pessoa abrir mão de saúde, vínculos e propósito. Sarah Coles, da plataforma britânica AJ Bell, defende um caminho mais flexível: economizar e investir sem prejudicar o bem-estar no presente.
