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“Não sou ladrão”: Casares nega irregularidades e se defende após crise no São Paulo

Julio Casares durante entrevista – Foto: Reprodução

Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, negou as acusações de desvio de recursos e uso irregular do cartão corporativo do clube em entrevista ao UOL neste sábado (25), a primeira desde a crise institucional que levou à sua renúncia no início do ano. “Eu não sou ladrão. Segundo, eu não faria isso de forma tão amadora”, afirmou. Ele é alvo de investigação após denúncia anônima enviada ao Ministério Público e também apurada pela Polícia Civil. Com informações de Uol.

Entre os pontos sob apuração estão saques em espécie que somam R$ 11 milhões entre 2021 e 2025 e depósitos fracionados de R$ 1,5 milhão em sua conta pessoal, apontados em relatórios de análise financeira do Coaf. Casares afirmou que não controlava retiradas de dinheiro e disse nunca ter assinado pedido de saída de recursos. O ex-dirigente também citou pagamentos em espécie de premiações no futebol e atribuiu essa rotina à área financeira e à contabilidade do clube. O Conselho Deliberativo aprovou os balanços de sua gestão entre 2021 e 2024, mas recusou o de 2025 após auditoria independente apontar falta de documentação em parte dos saques.

Casares admitiu ter usado o cartão corporativo para despesas pessoais, mas disse que devolveu os valores com correção. Segundo ele, os gastos ficaram pouco acima de R$ 400 mil em cinco anos, média de cerca de R$ 8 mil por mês, e ocorreram em viagens e compromissos de relacionamento. O ex-presidente também negou saber de eventual venda irregular de camarotes em dias de shows e afirmou que o espaço era usado para despachos, jogadores não relacionados e ações institucionais sem comercialização regular.

A Comissão de Ética do São Paulo marcou para esta quinta-feira (30) uma audiência no processo que pode levar à expulsão de Casares do quadro associativo. Depois da oitiva, o colegiado deve elaborar um relatório e devolver o caso ao Conselho Deliberativo, responsável pela decisão final. Em eventual julgamento, a expulsão exige apoio de dois terços dos conselheiros. O São Paulo não comentou as declarações; o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, afirmou que o processo de impeachment seguiu o estatuto e garantiu ampla defesa ao ex-dirigente.