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Caseiro recebia R$ 40 e “vivia rezando” para escapar de trabalho escravo

Auditores fiscais conversam com caseiro durante fiscalização
Auditores fiscais conversam com caseiro durante ação de fiscalização. Foto: Reprodução

Auditores-fiscais do Trabalho encontraram um caseiro, a esposa e dois filhos em situação análoga à escravidão em uma chácara de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. O trabalhador relatou à equipe que “vivia rezando” para que alguém o tirasse daquela situação, mas disse que não conseguia deixar a propriedade por falta de dinheiro e de outro local para abrigar a família.

No momento da operação, a família tinha apenas um pacote de macarrão instantâneo e farinha para comer, situação classificada pelos auditores como insegurança alimentar extrema. A esposa afirmou que já chorou muitas vezes por não ter dinheiro para alimentação e porque “morria de medo que o teto caísse na minha cabeça”. A casa onde viviam apresentava infiltrações, deterioração e riscos estruturais, enquanto a casa-sede da propriedade permanecia fechada e em melhores condições.

Segundo a AFT, o trabalhador atuava como caseiro havia cerca de 18 anos, sem registro formal e sem direitos trabalhistas básicos. Ele cuidava da manutenção da chácara, com limpeza, poda, irrigação, adubação, piscina e equipamentos, sem treinamento adequado nem equipamentos de proteção. Em maio, o empregador pagou apenas R$ 160 pelos serviços, durante a pandemia, os valores mensais ficaram entre R$ 30 e R$ 40, segundo o relato do trabalhador.

Após o resgate, a fiscalização determinou a retirada imediata da família e providenciou moradia adequada custeada pelo empregador durante a ação, além de refeições, cestas básicas e apoio emergencial. O empregador firmou TAC com o Ministério Público do Trabalho, reconheceu irregularidades e aceitou pagar R$ 50 mil pelo período de vínculo que reconhece, de julho de 2020 a junho de 2026; a AFT estima créditos de cerca de R$ 180 mil desde 2008, o que ainda pode gerar discussão judicial.