Caso Gisele: Coronel suspeito disse à esposa que “lugar de mulher é dentro de casa”

Dois dias antes de ser encontrada baleada no apartamento onde vivia com o marido, no Brás, em São Paulo, a soldado Gisele Alves Santana discutiu com o então marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, sobre a possibilidade de fazer mais serviços no batalhão para complementar a renda. Segundo mensagens do inquérito, o oficial reagiu com frases como “lugar de mulher é onde o marido quiser”, “lugar de mulher casada é dentro de casa” e “submissão e obediência ao marido”.
Em outra mensagem, ele escreveu: “Tem que aprender a economizar e gastar o que o salário permite. Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e dos filhos, não na rua. Sossega o facho”. Gisele respondeu: “Não vou pra rua caçar macho, me respeita” e “Faço sim e vou fazer, já que você não vai ajudar mais. Não tenho problema de trabalhar, não”. Em outra troca, ele afirmou: “Se não trabalhar com macho, pode trabalhar, se for com macho, não”, e a policial rebateu: “Sou soldado, não escolho”.
A denúncia do Ministério Público de São Paulo, apresentada em 18 de março, também cita outras mensagens atribuídas ao oficial, que foi tornado réu por feminicídio e fraude processual. Gisele, de 32 anos, foi encontrada ferida na manhã de 18 de fevereiro, levada ao Hospital das Clínicas e morreu horas depois. O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas passou a ser tratado como morte suspeita. Após perícia e reconstituição, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não era compatível com essa hipótese, e o tenente-coronel foi preso em 18 de março.
