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Caso Orelha: ausência de fratura no crânio não elimina hipótese de violência

cão Orelha
O cão Orelha – Reprodução

O caso do cão Orelha voltou ao centro das investigações após a divulgação do laudo pericial sobre a morte do animal, ocorrida em janeiro na Praia Brava, em Florianópolis. O exame foi feito após a exumação, quando o corpo já estava em fase de esqueletização, e não apontou a causa da morte. Os peritos registraram ausência de fraturas ou lesões ósseas atribuíveis a ação humana e também não encontraram vestígios que confirmassem a hipótese de que um prego teria sido cravado na cabeça do cão. Com informações da Folha de S.Paulo.

Especialistas explicam que a ausência de fraturas no crânio não exclui a possibilidade de agressão. A médica Caroline Daitx, formada pela USP, afirma que traumas cranianos podem ocorrer sem provocar fraturas ósseas visíveis. Segundo ela, lesões em órgãos internos, hemorragias, asfixias e danos em partes moles não deixam marcas no esqueleto. O veterinário Felipe Consentini, da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Legal, também destaca que impactos podem causar lesões internas graves sem quebrar o osso.

De acordo com a investigação, Orelha foi atacado por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro, socorrido por moradores e levado a atendimento veterinário, mas morreu durante os cuidados. Quatro adolescentes foram inicialmente apontados como suspeitos, e a polícia pediu a internação de um deles ao concluir o inquérito. O advogado Gabriel Huberman Tyles, mestre pela PUC-SP, afirma que a indefinição da causa da morte não impede, por si só, a apresentação de denúncia por maus-tratos com resultado morte.