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Caso PM Gisele: perícia e investigação desmontam versão de suicídio

Geraldo Leite e Gisele Alves. Foto: Reprodução

O delegado Lucas de Souza Lopes, responsável pelo inquérito sobre a morte da PM Gisele Alves Santana, 32, afirmou em relatório de 88 páginas que a versão de suicídio apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Rosa Neto é “tecnicamente incompatível”. Segundo ele, o caso é “plenamente compatível” com feminicídio, com indícios de que o oficial adulterou a cena do crime após o disparo.

A perícia apontou hematomas na mandíbula e no pescoço, além de sinais de imobilização e tiro à queima-roupa, incompatíveis com suicídio. Para o delegado, as evidências indicam que a vítima foi contida por terceiros no momento do disparo. Ele também destacou inconsistências no relato do militar, como o fato de ter tomado banho antes da perícia, o que pode ter eliminado vestígios.

O relatório ainda descreve um padrão de “controle coercitivo intenso” exercido pelo coronel sobre Gisele, incluindo isolamento social, monitoramento e restrições pessoais. Com base em laudos, mensagens e depoimentos, o delegado conclui que há indícios suficientes para apontar feminicídio e fraude processual, reforçando a responsabilização do oficial, que nega o crime.